segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Espondilite Anquilozante


Autor: Felipe Ribeiro Mascarenhas

                      Fisioterapeuta
        www.colunasemdor.com.br

ESPONDILITE ANQUILOSANTE   
            
É uma forma de espondiloartrite crônica soro negativa caracterizada por comprometimento progressivo das articulações sacroilíacas e vertebrais com eventual ossificação nessas articulações e ao seu redor (anquilose óssea). As articulações proximais das extremidades, particularmente as do quadril, podem ser afetadas, bem como as articulações periféricas, principalmente nas extremidades inferiores.
Difere da A.R. em relação a sua imunogenética, idade de início, incidência de sexo, distribuição clínica, aspectos radiográficos e resposta à terapia (é considerada uma doença separada do tecido conjuntivo mais do que uma variante de doença reumatóide)


INCIDÊNCIA

Na década de 70 a E.A. era considerada uma doença reumatóide incomum com ocorrência predominante em homens jovens.
Quando formas menos graves da doença são reconhecidas, a E.A. é quase tão comum quanto a A.R., e também as mulheres jovens são afetadas quase tão frequentemente quanto homens jovens.
Tipicamente, o início é na fase adulta jovem e raramente após os 30 anos. Uma forma juvenil de E. A. pode começar tão cedo quanto aos 10 anos, associada com uma artrite periarticular


ETIOLOGIA

Sua causa precisa é desconhecida, porém a importância de um fator predisponente genético tem sido enfatizada pela descoberta de que 96% de caucasianos que sofrem de E.A. são portadores do antígeno tissular herdado HLA-B27, que serve como um marcador genético.
Esse antígeno é encontrado em 5% a 15% de todos os caucasianos
Dentre os portadores do antígeno apenas 20% desenvolvem E.A.

PATOGÊNESE E PATOLOGIA


A E.A. acomete o sítio de inserção dos tendões, ligamentos, fáscia e capsulas fibrosas articulares.
O processo patológico é uma fibrose progressiva e ossificação nessas partes moles periarticulares, eventualmente levando à anquilose óssea de toda a articulação
A doença começa nas articulações sacroilíacas e avança lentamente para cima ao longo da coluna vertebral, onde afeta a articulação facetária posterior
A coluna lombar pode ser poupada na fase inicial, mas é eventualmente comprometida
Os tecidos periarticulaes das articulações também são afetadas
Eventualmente as partes moles de ambos os tipos de articulação se ossificam, produzindo uma anquilose óssea que pode envolver toda a coluna, convertendo-a numa única massa rígida de osso.
As articulações vertebrais da coluna tornam-se comprometidas em um terço dos pacientes e os quadris são propensos a se tornar completamente anquilosados
Um elemento sistêmico de E.A. existe evidenciado por lesões que podem envolver olhos, pulmões, coração e glândula prostática

ASPECTOS CLÍNICOS E DIAGNÓSTICO
DA ESPONDILITE ANQUILOSANTE

-         Paciente geralmente jovem
-         Inicia com dor lombar vaga, gradual
-         Se agrava com movimentos súbitos
-         Não é aliviada com repouso
-         Rigidez matinal da coluna persiste durante todo o dia
-         Em contraste com dor lombar “mecânica”, a dor melhora com exercício físico
-         Exame físico- dor sobre art. sacroilíacas e coluna vertebral, com espasmo muscular vertebral e perda da lordose lombar normal


-         Dor na região calcânea – inserção do tendão de aquiles e fáscia plantar
-         Progressão de sinais e sintomas é geralmente contínua, podendo ser intermitente
-         Durante ou após 1 ano (ou mais) geralmente a doença se propaga para cima ao longo da coluna, tornando-se progressivamente mais rígidas
-         Comprometimento das articulações costovertebrais – dor à respiração profunda, perda de movimento, diminuição da expansão torácica normal
-         Formas mais graves de E.A., a coluna vertebral se torna progressivamente mais rígida e mais fletida
-         Paciente é incapaz de olhar para cima e para frente
-         Dificuldade de andar pelo quadril anquilosado
-         Sua progressão é lenta e inflexível, porém pode estacionar espontaneamente em qualquer estágio
-         RX – inicial: estreitamento do espaço cartilaginoso sacroilíaco e esclerose subcondral; pode haver ossificação da articulação
           - fase tardia: ossificação do anel fibroso das sínfises intervertebrais “coluna de bambu”
-         Manifestações clínicas sistêmicas: fadiga, perda de peso e febre baixa
-         Exame laboratorial – pode revelar anemia
HLA-B27 não é um valor diagnóstico absoluto (20% ind. com HLA-B27 positivo desenvolvem a doença e nem todos os ind. com a doença possuem esse antígeno)
-         Diagnóstico feito em bases clínicas e radiográficas



TRATAMENTO FISIOTERÁPICO         



Objetivos:

1-   diminuir a dor
2-   manter ADM de todas as articulações para uma melhor função
3-   manter ou ganhar força muscular
4-   manter estabilidade articular
5-   manter expansibilidade da caixa toráxica
6-   promover independência nas AVDs
7-   promover eficiência e segurança no padrão de marcha
8-   retardo na evolução das deformidades



Condutas:

1-   eletrotermofototerapia
2-   mobilização passiva e ativa das articulações
3-   exercícios isométricos e isotônicos
4-   exercícios proprioceptivos
5-   exercícios respiratórios
6-   treinos de marcha
7-   exercícios posturais



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