quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Teorias das Disfunções Vertebrais - Osteopatia


Teorias da disfunção do movimento vertebral


           Foram propostas muitas teorias para explicar o fenômeno clinicamente observado da hipomobilidade. Uma delas propõe o aprisionamento do material sinovial ou a existencia de um meniscóide sinovial entre duas superfícies articulares opostas. Há alguns indícios anatômicos de que os meniscóides realmente ocorrem, mas não foi demonstrado se eles, de fato, causam restrição articular. O meniscóide articular possui inervação por fibras C que sugerem ter função nociceptiva.
           Uma segunda teoria sugere uma falta de congruência no contato ponto-a-ponto das superfícies opostas. Ela postula alteração no mecanismo de acoplamento normal entre as superfícies articulares, e o papel da medicina manual é restaurar a articulação, fazendo com que ela retome a "trilha certa".
          Uma terceira teoria sugere uma alteração nas propriedades físicas e químicas do líquido sinovial e das superfícies sinoviais. Essencialmente, houve perda da capacidade de deslizamento suave devido ao fato de as superfícies opostas terem se tornado "pegajosas". Após um procedimento de tranco rápido de baixa amplitude (mobilização com impulso), tanto na articulação vertebral quanto na da extremidade em que a separação das superfícies articulares ocorreu, foi comprovado o fenômeno de "cavitação". Além do estalo audível, foi também observada, em raios-X, uma densidade negativa dentro da articulação. Esse "fenômeno do vácuo" parece ter densidade do nitrogênio, e a sombra gasosa está presente por um período variável antes de deixar de ser observada, sugerindo uma alteração do estado líquido para gasoso em decorrência da aplicação do tranco.
           Uma quarta teoria  enfoca a restrição de movimento como resultado de alteração no comprimento e no tônus do músculo. Os músculos podem se tornar hipertônicos e encurtados, ou então alongados e enfraquecidos. A perda de controle muscular tem enorme significado. O controle fisiológico do músculo é altamente complexo e abrange o comportamento de mecanorreceptores situados nas articulações e em seu respectivo tecido mole, no fuso do músculo e no aparelho tendinoso de golgi, no nível medular e no reflexos das vias proprioespinais, nas vias que conduzem ao córtex motor, nas vias corticobulbares e corticoespinais moduladas pelo cerebelo e na via final comum do neurônio motor alfa até a fibra muscular. Uma alteração no estímulo aferente desse mecanismo complexo, ou uma alteração de função dentro do sistema, pode resultar em atividade muscular disfuncional e acabar afetando os mecanismos articulares. Qualquer alteração do tônus muscular, então, restringe o movimento normal e funciona como fator de perpetuação da alteração do movimento articular. Afirmar que a atividade muscular normal é primária ou secundária à disfunção vertebral é mera conjectura. No entanto, o tratamento oferecido deve sempre visar, de algum modo, o componente muscular da disfunção vertebral. Fazendo analogia com um computador, o sistema nervoso seria o seu software e o sistema músculo-esquelético, o seu hardware. Uma alteração de função do sistema nervoso (o software) não permite que o sistema músculo-esquelético (o hardware) funcione adequadamente. Alguns profissionais da medicina manual consideram a eficiência do tratamento pela medicina manual como a reprogramação do software através da alteração do comportamento dos mecanorreceptores no nível da articulação e dos tecidos moles.
           Uma quinta teoria enfoca alterações nas propriedades biomecânicas e bioquímicas dos elementos miofasciais do sistema músculo-esquelético, da cápsula,, das estruturas ligamentares e da fáscia. Quando essas estruturas são alteradas por trauma, inflamação, degeneração ou outras causas, pode ocorrer redução da mobilidade vertebral normal.
          Independentemente da teoria à qual possamos aderir, os fenômenos clínicos de limitaão do movimento vertebral podem ser encarados como a influência exercida sobre as articulações zigoapofisárias pareadas do segmento. Falamos da capacidade das facetas de se abrirem ou fecharem e nos referimos primariamente ao movimento do tipo acordeão e não ao movimento do tipo separação. Na inclinação para a frente, as facetas devem normalmente abrir-se e, na inclinação para trás, devem fechar-se. Se algo interferir na capacidade de abertura das duas facetas, ocorrerá restrição na inclinação para frente. Inversamente, se algo interferir na capacidade de fechamento das facetas, ocorrerá restrição na inclinação para trás. É também possível que uma faceta se mova normalmente e a outra se torne limitada. Se, por exemplo, a faceta direita não se abrir, mas a esquerda funcionar normalmente, a inclinação lateral para a direita será possível, mas a inclinação lateral para a esquerda ficará limitada. Devido ao fato de a inclinação lateral e a rotação, nos segmentos vertebrais típicos, serem movimentos acoplados, a rotação também poderá ser afetada por alteração do movimento articular da faceta.

Referências

GREENMAN, Philip E. Princípios da Medicina Manual. 2 ed. São Paulo: Editora Manole, 2001

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